Do Pí à IAProfª Dra. Lessandra Marcelly
AVM™ · Artefatos Virtuais Manipuláveis · Probabilidade

Probabilidade: medindo o acaso

Não dá para saber qual face do dado vai sair, mas dá para saber quanto cada resultado é provável. A probabilidade é esse número entre 0 e 1. Nesta página você embaralha anagramas, joga dados aos milhares, encolhe o espaço amostral com uma informação nova, desconfia de um exame positivo e vê nascer a lei binomial, sempre com a conta exata ao lado da simulação.

Probabilidade usa muita contagem. Antes, reveja a contagem em Análise Combinatória →

Artefato 1

Anagramas ao acaso

Coloque as letras de uma palavra num saquinho, sacuda e tire uma por uma: sai um anagrama. Isso é um experimento aleatório. Sabemos todos os resultados possíveis, mas não qual vai sair. Escolha uma condição sobre o anagrama, calcule a chance exata e depois confira sorteando centenas de vezes.

Experimento aleatórioRepetido nas mesmas condições, pode dar resultados diferentes, e não há como prever qual sairá.
Espaço amostral ΩConjunto de todos os resultados possíveis. Aqui: os anagramas distintos da palavra.
EventoQualquer subconjunto A de Ω. Ω é o evento certo; ∅ é o evento impossível.
Espaço equiprovávelTodos os resultados têm a mesma chance. Então P(A) = #A / #Ω.

Sorteio de anagramas

aguardando sorteio

#Ω · anagramas24
#A · favoráveis12
P(A) = #A/#Ω1/2
P(A) em %50,0%
sorteios0
sucessos (A ocorreu)0
freq. relativa f—
|f − P(A)|—
Só letras, de 2 a 8. Acentos são ignorados.

Espaço amostral Ω

pertence ao evento Anão pertenceúltimo sorteado
Artefato 2

Dois dados: eventos e operações

Lançando dois dados, o espaço amostral tem 6 · 6 = 36 pares ordenados (1º dado, 2º dado), todos com a mesma chance. Escolha dois eventos, A e B, e combine-os: união (A ou B), interseção (A e B), complementar (não A) e diferença (A, mas não B). O contorno escuro marca o resultado da operação.

só em Asó em Bem A e em Bresultado da operaçãoúltimo lançamento
P(A)6/36
P(B)11/36
P(A ∩ B)2/36
P(A ∪ B)15/36
Clique para lançar ou toque numa casa do quadro.

Distribuição da soma

P(soma = s) = (nº de pares com soma s)/36

Artefato 3

Frequência relativa → probabilidade

Repetindo um experimento N vezes, se o evento ocorre n vezes, sua frequência relativa é f = n/N. No começo ela salta de um lado para outro; com muitas repetições, estabiliza perto da probabilidade teórica. Essa é a ideia da lei dos grandes números, que permite estimar probabilidades com experimentos.

Moeda · cara
N · repetições0
n · sucessos0
f = n/N—
P teórica0,500
erro |f − P|—

Experimento

A faixa dourada vai de P − 0,05 a P + 0,05. Observe quantos lançamentos são necessários para a curva entrar nela e não sair mais.

Frequência de cada resultado

colunas douradas: resultados que contam como sucesso
Artefato 4

Probabilidade condicional: encolhendo o espaço amostral

Às vezes recebemos uma informação parcial: “o estudante sorteado é do turno da noite”. Essa notícia elimina parte dos resultados, e o que sobra, o evento B, vira o novo espaço amostral. A probabilidade de A dado B é P(A | B) = n(A ∩ B) / n(B). Primeiro escolha a condição B, depois o evento A.

n(B) · novo Ω160
n(A ∩ B)96
P(A | B)0,600
P(B | A)0,436

1 · Condição B (o que já se sabe)

2 · Evento A (o que se quer saber)

Tabela de dupla entrada

Toque num cabeçalho para usá-lo como condição B.
Artefato 5

Probabilidade total e teorema de Bayes: o exame que dá positivo

Um exame acerta 80% dos doentes e deu positivo. A chance de a pessoa estar doente é 80%? Quase nunca! Quando a doença é rara, a maioria dos positivos vem dos muitos saudáveis que recebem um falso positivo. A probabilidade total soma os caminhos da árvore que levam ao positivo; o teorema de Bayes inverte a pergunta: sabendo que deu positivo, qual a chance de doença?

P(+) · total6,5%
P(D | +) · Bayes24,6%
P(S | −)99,6%
positivos em 1 00065

1 000 pessoas (frequências naturais)

Fração da população que tem a doença: P(D).
Chance de dar positivo em quem está doente: P(+ | D).
Chance de dar positivo em quem é saudável: P(+ | S).
Artefato 6

Ensaios de Bernoulli e a lei binomial

Repita n vezes, de modo independente, um experimento com só dois resultados: sucesso (probabilidade p) ou fracasso (probabilidade 1 − p). São os ensaios de Bernoulli. O número X de sucessos segue a lei binomial: cada sequência com k sucessos tem probabilidade pᵏ·(1 − p)ⁿ⁻ᵏ, e há C(n, k) sequências assim.

n = 10 · p = 0,50
barras somadas no cálculodemais valores de kfrequência simulada
P(X = 5)0,2461
P(X ≤ 5)0,6230
P(X ≥ 5)0,6230
média E(X) = n·p5

Também dá para tocar numa barra do gráfico.

Situações para testar

O problema do Cavaleiro de Méré

França, século XVII

Antoine Gombaud, o Cavaleiro de Méré, ganhava dinheiro apostando que sairia pelo menos um 6 em 4 lançamentos de um dado. Achando que era a mesma coisa, passou a apostar em pelo menos um duplo 6 em 24 lançamentos de dois dados, e começou a perder. Ele levou a dúvida a Pascal, que discutiu o problema com Fermat em cartas que ajudaram a fundar a teoria das probabilidades.

Aposta I · 4 lançamentos de 1 dado
1 − (5/6)4
≈ 0,518 simulado: —
Aposta II · 24 lançamentos de 2 dados
1 − (35/36)24
≈ 0,491 simulado: —
0 partidas de cada
O erro do raciocínio “4 · 1/6 = 24 · 1/36 = 2/3” é somar probabilidades de eventos que não são mutuamente exclusivos (pode sair 6 em mais de um lançamento). O caminho certo é o complementar: “pelo menos um” = 1 − “nenhum”.
Artefato 7

Desafio estilo ENEM

Doze questões sobre espaço amostral, eventos, regra da adição, probabilidade condicional, independência, probabilidade total, Bayes e lei binomial. Cada resposta vem com a explicação.

Use os artefatos acima para conferir suas ideias.
acertos 0/0 sequência 0